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Você usa essas 30 Expressões racistas?

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Diferente de preconceito, que é uma atitude, o racismo é o processo de hierarquização, exclusão e discriminação baseado na raça-etnia. Esse processo pode ser dado até mesmo pelo meio de expressões que usamos no dia a dia.

Ditos populares e brincadeiras de cunho racial como: “negro bom é negro de alma branca”, “negro, quando não faz besteira na entrada, faz na saída”, “bolo nega maluca”, podem ser enquadrados no tipo de racismo cordial, de acordo com os 6 novos tipos de racismo, identificados/nomeados a partir de um estudo social.

Como podemos observar nas expressões abaixo, a grande maioria das expressões se encaixam no racismo porque atribuem ao negro/preto, aspectos negativos ou pejorativos. Se atentar a isso é um bom critério para identificar expressões racistas.

Questionar os termos que utilizamos em nosso vocabulário é importante para colocar em pauta as implicações que a linguagem tem nas relações sociais.

30 expressões racistas que você precisa parar de falar

Mulata – Palavra derivada de Mula, termo era usado para classificar os filhos gerados de estupros em mulheres escravas.

Denegrir – Termo muito utilizado no vocabulário coloquial para se referir a vergonha, ofensa. O termo correto é Difamar.

Mercado Negro/Lista Negra – Ambas as palavras são usadas com um intuito negativo e pejorativo.

Moreno/Morena – Normalmente utilizado para se referir alguém com uma pele negra mais clara. Racistas acreditam que chamar alguém de negro é ofensivo. Não há nada de errado em chamar alguém de negro/negra. Esse termo é relacionado ao Colorismo. Para saber mais, clique aqui.

Da cor do pecado – Nome de uma novela famosa, é uma expressão muito usada para se referir a pessoas negras, embora pecado passe longe de ser algo positivo.

Inveja Branca – Termo utilizado para se referir a um tipo de inveja boa, que não traz prejuízos à outra pessoa. A crítica é sobre utilizar o “branca” para se referir a algo positivo.

A coisa tá preta – Semelhante ao termo anterior, a crítica é sobre utilizar o termo “preta” para algo negativo.

Criado Mudo – Por volta de 1820, os nobres tinham servos, chamados de criados. Porém esses servos falavam muito e incomodavam os nobres, que começaram a substituí-los por sermenetes, pequenas mesinhas que ficavam ao lado da cama, e tinham como função, ser apoio para copos, roupas e outros objetos. Foi aí que os nobres perceberam que a peça poderia ter a mesma função dos servos, mas com uma diferença: não falam.

Negro de alma branca – Utilizar o termo branco para se referir a algo bom.

Cor de pele (lápis de colorir) – De qual pele?

Lado negro – Termo que popularizou após o sucesso da franquia de filmes Star Wars. Se refere ao lado maligno. Mais tarde o termo foi substituído por “lado sombrio”.

Negro Bonito/Negra Bonita – Não é necessário racializar um elogio.

Doméstica – Negros eram tratados como animais rebeldes e que precisavam de “corretivos”, para serem “domesticados”.

Estampa étnica – Estampa parece ser, no mundo da moda, apenas aquela criada pelo olhar eurocêntrico. Quando o desenho vem da África ou de outra parte do mundo considerada “exótica” segundo essa visão, torna-se “étnica”.

A dar com pau – Expressão originada nos navios negreiros. Muitos dos capturados preferiam morrer a serem escravizados e faziam greve de fome na travessia entre o continente africano e o Brasil. Para obrigá-los a se alimentar, um “pau de comer” foi criado para jogar angu, sopa e outras comidas pela boca.

Meia tigela – Os negros que trabalhavam à força nas minas de ouro nem sempre conseguiam alcançar suas “metas”. Quando isso acontecia, recebiam como punição apenas metade da tigela de comida e ganhavam o apelido de “meia tigela”, que hoje significa algo sem valor e medíocre.

Samba do crioulo doido – Título do samba que satirizava o ensino de História do Brasil nas escolas do país nos tempos da ditadura, composto por Sérgio Porto (ele assinava com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta). No entanto, a expressão debochada, que significa confusão ou trapalhada, reafirma um estereótipo e a discriminação aos negros.

Ter um pé na cozinha – Forma racista de falar de uma pessoa com origem negra. Infeliz recordação do período da escravidão em que o único lugar permitido às mulheres negras era a cozinha da casa grande. Uma realidade ainda longe de mudar no Brasil.

Negro(a) de traços finos – A mesma lógica do clareamento se aplica à “beleza exótica”, tratando o que está fora da estética branca e europeia como incomum.

Cabelo ruim – Não existe cabelo ruim, existe cabelo. Fios “rebeldes”, “cabelo duro”, “carapinha”, “mafuá”, “piaçava” e outros tantos derivados depreciam o cabelo afro. Por vários séculos, causaram a negação do próprio corpo e a baixa autoestima entre as mulheres negras sem o “desejado” cabelo liso.

Não sou tuas negas – A mulher negra como “qualquer uma” ou “de todo mundo” indica a forma como a sociedade a percebe: alguém com quem se pode fazer tudo.

Serviço de preto – Mais uma vez a palavra preto aparece como algo ruim. Desta vez, representa uma tarefa mal feita, realizada de forma errada, em uma associação racista ao trabalho que seria realizado pelo negro.

Amanhã é dia de branco – Expressão para se referir que amanhã é dia de trabalho, compromisso, de ganhar dinheiro. Uma das explicações históricas do termo é para a declaração é feita com menção a nota de mil cruzeiros, que possuía a estampa do Barão do Rio Branco e, portanto, usava trajes brancos.

Feito nas coxas – A origem da expressão popular “feito nas coxas” deu-se na época da escravidão brasileira, onde as telhas eram feitas de argila, moldadas nas coxas de escravos.

Todo negro sabe sambar – Dizer isso é reforçar um estereótipo que encaixa todos os negros em um único perfil.

Ovelha negra – Pessoa ou entidade que se destaca pelo mau procedimento

Cabeça Chata – Termo preconceituoso utilizado para se dirigir aos nordestinos, especialmente os cearenses. Termo utilizado inclusive por Jair Bolsonaro.

Baianice – Termo utilizado para dizer que algo foi feito de forma atrapalhada que demonstra um enorme preconceito regional.

Franklin Alexandre é gestor de Marketing e graduando em Psicologia. Autor do livro paradidático "Universos Diversos em Diversos Universos", atualmente conduz uma pesquisa voltada para a área de Políticas Públicas de Saúde pela Universidade Paulista e atua principalmente nos seguintes temas: políticas públicas de saúde, psicologia escolar, psicanálise com crianças e educação inclusiva.

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