No fim de março publicamos uma matéria jornalística relatando o que acontece durante um dia em um grupo de WhatsApp bolsonarista e observamos muitos relatos nas redes sociais de leitores chocados com o alto nível de desinformação, Fake News, e discurso do caos.

Desde que surgiram os primeiros casos de Coronavírus no Brasil, esse movimento, tipicamente normal em um grupo de zap bolsonarista, se intensificou e passou a ser direcionado em cima das questões sobre a pandemia e da agenda do governo, atendendo à seus interesses.

A reportagem aponta uma série de informações falsas sobre o vírus, mobilizações para interromper o distanciamento social e entre outros movimentos prejudiciais para a saúde pública nesse momento em que estamos passando.

Para tentar conter a desinformação, o WhatsApp impôs um novo limite para encaminhar mensagens que chegam pelo aplicativo.

Funciona assim:

  • se a mensagem tiver uma seta dupla e for sinalizada por Encaminhada com frequência, ela poderá ser encaminhada novamente para um contato ou grupo por vez;
  • se a mensagem tiver apenas uma seta e for sinalizada por Encaminhada, ela poderá ser encaminhada novamente para cinco contatos ou grupos por vez;
  • se a mensagem não tiver nenhuma seta nem for sinalizada, ela também poderá ser encaminhada para cinco contatos ou grupos por vez.

Assim, as mensagens que forem altamente replicadas poderão ser encaminhadas para apenas uma pessoa, grupo ou lista de transmissão de cada vez. Anteriormente, os conteúdos trocados pelo WhatsApp poderiam ser reenviados pelo usuário a até cinco contatos por vez.

Enquanto isso no grupo de zap bolsonarista…

Mensagens como esta estão sendo encaminhadas diversas vezes durante o dia nos grupos de zap bolsonaristas.

telegram bolsonaro
Captura de tela WhatsApp

Uma ferramenta muito mais potente

A medida tomada pelo WhatsApp é positiva, porém, com a migração em massa de bolsonaristas para o Telegram, os danos podem ser ainda maiores.

O Telegram possui mais 200 milhões de usuários ativos diariamente e possui uma série de recursos superiores ao seu concorrente. Enquanto no zap, cada grupo pode ter até 256 participantes, no Telegram, esse limite sobe para 200 mil. Quanto ao encaminhamento de mensagens o limite é de 250.

Com centenas de milhares de bolsonaristas aderindo ao serviço, funcionalidades como agendar o envio de mensagens, canais (espécie de página do Facebook), chat secreto, mensagens que se autodestroem, bots (robôs que realizam tarefas automáticas), múltiplas sessões e entre vários outros recursos, podem ser utilizados para aperfeiçoar o esquema de disseminação de informações falsas e mobilização de grupo.

Comunistas vencendo

Em uma outra mensagem encaminhada, um texto alerta sobre os comunistas. Como sempre, informações sem fontes, advertindo sobre um plano secreto organizado por partidos de esquerda contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O texto finaliza solicitando a migração imediata para o serviço do Telegram.

Ciberética – um novo assunto em pauta

A migração dos bolsonaristas para o Telegram é um quadro perfeito do que significa internet. A maravilhosa terra do espaço cibernético permite que qualquer um crie um grupo ou uma página e dissemine a informação que quiser.

Os termos de uso e políticas podem orientar, mas não há como controlar o uso dos serviços. Medidas como a que o WhatsApp tomou podem diminuir e dificultar essa prática, mas sempre haverá formas de burlar.

Uma nova discussão ética se faz necessária: A Ciberética.

Ser um cidadão, ou melhor um cibernauta, exige uma atitude ética. Ter uma ação ciberética na internet significa buscar pela verdade. O primeiro passo é pensar na nossa vida como parte única da internet, ou seja, o que falamos e compartilhamos aqui se espalha pelo ciberespaço e afeta a vida das pessoas ao nosso redor.

O interesse que tenho em acreditar numa coisa não é prova da existência dessa coisa.

Autor

Formado em Marketing, estudante de Psicologia, autor do livro infantil sobre educação inclusiva "Universos Diversos". Escreve sobre desenvolvimento pessoal, coletivo, social, humanitário e universal no site "MundoInterpessoal.com".

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